Antes de ir



Casal II Geração



Elaiel Rachamaninnoff

Vinha visitando o apartamento dela desde aquele dia em que aceitei ser o
escravo da dominatrix. Embora tenha um senso de humor meio distorcido, a
engenhosa conseguia me manter ocupado e com as mãos totalmente fora de seu
lindo corpinho chocolate. Minhas noites de sono conturbado se baseavam em
cenas em que ela ,numa lingerie vermelha, me acorrentava e brincava com todo
meu corpo, inclusive com o Elaiel Jr. Banhos frios são companheiros da minha
solidão e frustração sexual. Parei minha Range Rouver do lado de fora do edifício
e respirei fundo enquanto me preparava mentalmente para o furacão Morená.
Esperei o elevador com impaciência, me via cada vez mais viciado na sua
essência chave de cadeia. Contei os segundos até que o elevador parou no andar
certo, andei em passos largos até sua porta, tentei controlar a força com que
bati. Já estava pensando em situações alternativas nas quais uma Morená
aparecia na porta com um robe e lingerie sensual, me recepcionando com um
beijo e sorriso no rosto, porém a realidade era bem diferente.
 -Entra- disse com voz monótona e com rosto de quem estava dormindo, o
cabelo estava num coque relaxado, que me incentivava a soltar seu cabelo negro
sedoso. Estava usando uma blusa básica e short de malha curtíssimo, mostrando
aquelas coxas torneadas da cor do pecado.- está esperando o que, escravo ?
 Entrei em seu apartamento que estava bagunçado, a diaba tirou tudo que eu
havia colocado no lugar ontem. Olhei para ela frustrado e percebi o brilho
malévolo em seu olhar. Diabos havia roupas e lixo para todos os lados. Senti
um fervor subindo e não era desejo.
 -Ah! Não se esquece do banheiro e da roupa suja, espero que não esteja tão
ruim. Tentei ao máximo não bagunçar- falou com ironia na voz e cara de
inocente.
 -Percebi, nem parece que eu arrumei esse apartamento todinho ontem respondi
olhando com raiva para ela.
 -Arrumou muito mal arrumado, tanto é que vai ter que fazer de novo. - falou
segurando o riso, a dissimulada sabia que estava tudo impecável antes de eu sair
ontem- está tentando iniciar uma rebelião, escravo?
 -Não, dominatrix- falei ronronando tentando me controlar com minhas
fantasias secretas.
 Morená arregalou os olhos e murmurou uma desculpa enquanto escapulia para
seu quarto, passando a tranca na porta. “até parece que uma tranca iria me
segurar” pensei revirando os olhos enquanto começava a catar suas roupas
espalhadas. Uma delas tinha um cheiro tão bom que eu não pude resistir e a
escondi em um lugar, para depois levá-la ao meu apartamento.


Morená Brunov

Me tranquei no quarto quando o ouvi ronronando, simplesmente não poderia
me imaginar sendo uma consorte descerebrada fazendo tudo que o tigre quer e
ainda gostando. “calma Morená, você vai se acostumar com isso” repeti o
mantra até que me acalmei o suficiente. Deu quase dó desarrumar tudo que ele
havia deixado no lugar, mas ainda não poderia deixá-lo chegar perto, não confio
em mim mesma perto de caras bonitos e não conseguia confiar nele. Ouvi o
barulho da máquina de lavar roupas sendo ligada e trinta segundos depois ouvi
o barulho de alguém caindo no chão. Destranquei a porta e fui ver o que o
trapalhão havia feito. Soltei uma risada sonora quando vi que ele derrapou num
sutiã que estava no chão. O homem olhou lentamente para mim com cara de
poucos amigos e pegou o sutiã com sua mão e deu uma cheirada generosa.
“tarado, depravado e nojento... o que mais se esperar de um tigre?” pensei
enquanto encarava seu gesto. Escutei o ronco saindo de seu peito enquanto ele
olhava para mim, ainda com o sutiã na mão. Me surpreendi quando ele se
levantou em silêncio e foi para a área de serviço. “Alguém está bolado comigo”
pensei com dó.
 Voltei para o meu quarto e quase pedi para ele voltar e servir de apoio para os
meus pés, mas aproveitei para estudar enquanto ele dava uma geral no
apartamento, que havia bagunçado. Estava tão concentrada nos estudos que não
percebi que ele havia entrado e estava parado atrás de mim. Levei um susto e
levantei da cadeira.
 -Terminou tudo? Pode ir embora- falei sem olhar para cara dele, fingindo
descaso.
 -Não antes de te devolver uma coisa... - falou com a voz rouca e enigmática
 olhei para cima e me assustei com o olhar cheio de desejo estampado na cara
dele.
 -O-o que é?- indaguei tentando controlar o nervosismo instalado na minha
barriga.
 -Isso- disse em um rosnado enquanto agarrou minha cintura com pegada de
aço e na minha nuca, cravando um beijo ardente e intenso.
 Éramos todo toques, primeiramente tentei me afastar dele mas não consegui
resistir aos encantos de sua boca, da sua língua tenra e experiente que
arrepiavam partes do meu corpo que não havia sentido com nenhum outro
homem. Caí de cabeça naquele momento, mesmo sabendo que iria me
arrepender mais tarde e que provavelmente iria odiá-lo mais ainda. Odiá-lo por
me fazer sentir coisas que não queria sentir, coisas que não quero viver e coisas
pelas quais terei que subordinar meu corpo e meu ser. Agarrei seus cabelos com
força e ele soltou um rugido frenético
 Enlacei minhas pernas em sua cintura enquanto ele me pressionava na parede,
enfiei minhas mãos por debaixo de sua blusa, tocando no seu tanquinho que eu
sempre tive vontade de tocar, o incitei a tirá-la. Ele também enfiou suas mãos e
tirou minha camisa. Ele parou um segundo para dar uma olhada, mas logo o
puxei de volta para onde paramos. Seguimos nesse jogo de sedução por horas,
ele nos guiou para a cama e começou a tirar o meu short.
-Espera!- disse enquanto tocava em suas mãos.
 -Te machuquei? Aonde? Eu sou um bruto mesmo!- ele falou me tocando como
se fosse de vidro.
 -Não... Não. - respondi arfando- deixe-me fazer isso. - terminei enquanto
trocávamos de posições.
 Espalhei beijinhos por todo seu peitoral, descendo em direção a seu tanquinho
compacto. Ele rosnava e murmurava coisas que eu não compreendia e nem
queria entender, continuei desbravando a terra prometida e parei em cima do
botão da sua calça. Olhei para cima e vi ele me encarando com uma expressão
extasiada.Joguei-lhe um sorriso maroto e abri seu botão com os dentes. Mal senti
quando ele me jogou por debaixo de seu corpo e começou a beijar meu
pescoço, enviando ondas de prazer e tensão por todo meu corpo. Ele desceu por
toda minha barriga, dando lambidinhas e logo após assoprando-as, o que me
rendeu arrepios intensos, fazendo-me ondular.
 Elaiel parou subitamente e depositou um beijo nos meus lábios enquanto saia
catando sua blusa e jaqueta no caminho. “mas o que?” pensei ainda no efeito
dos lábios perigosos do Elaiel. Só fui registrar o que estava acontecendo quando
ouvi o barulho da porta sendo fechada.
 -Desgraçado! Filho da...- gritei enraivecida, não acredito que caí na laia dele.
Se ódio matasse eu estaria no chão tendo convulsões.
 Quando consegui me sentir mais controlada comecei a recolher as roupas no
chão e minha dignidade que estava espalhada por todo recinto. Ainda não
consegui acreditar que ele tinha feito eu sentir coisas que iam contra meu
“modus operandi”. Deixei o bastardo fazer tudo que queria e mais um pouco,
ainda fui conivente, incentivando as safadezas do covarde.Iria fazer ele se
arrepender por ter me largado na mão, vou fingir que nada disso aconteceu e
irei explorá-lo de todos os modos, até que ele chegue a exaustão.
 Ainda estava vergonhosamente acessa e decidi tomar uma ducha fria, que foi
inundada por lembranças fogosas da cena que nunca mais irá se repetir, serei
mais esperta do que aquele quadrúpede no cio. Fui me secando enquanto ia em
direção ao quarto quando percebi que tinha algo dependurado no trinco,
quando averiguei o que era fiquei vermelha de ódio. O demente deixou o sutiã
preto que ele havia escorregado como desculpa para ir embora quando as coisas
estavam ficando boas. Se isso não fosse tão revoltante seria cômico.
 - Deixa estar Elaiel...- sussurrei a promessa que havia feito a mim mesma, ele
irá pagar por ter me usado.


 Eduarda Helena Moreira Rocha







:) :,( ;) :D :-/ :? :v X( :7 :-S :(( :* :| :-B ~X( L-) =D7 :-w s2 \m/ :p kk

0 .:

Postar um comentário