Limbus

Vila da Sorte – A Corte do Palácio Bordô

Faurecia Ur

— Esta velharia nunca funciona como deveria! — Jezelia resmungou pela oitava vez ao tentar usar o caldeirão de visões elficas que era um patrimônio de minha família já que o tio de meu pai fora o ‘’famoso’’ elfo louco da rebelião que causara o nascimento de nossa nação.
— O que não funciona é a sua fixação por observar o paradeiro do ministro de quatro em quatro horas. — tossi antes de voltar a minha atenção a mesa de minha sala particular na qual transformava algumas rochas pontiagudas em lindos diamantes que adornariam a minha nova coleção de joias.
— Está falando dela, mas faz o mesmo. — Scarlett tossiu se levantando de uma das grandes almofadas para caminhar na direção do artefato que refletia a sagrada água verde borbulhante.
— Eu apenas ‘’verifico’’ o Tae uma vez ao dia. — menti, pois o olhava praticamente o tempo todo e sempre ficava brava porque nunca conseguira acessar seus aposentos reais ou a sua sala de banho.
— Não seja uma mentirosa! — Jezelia provocou. — E Scarlett, você deveria experimentar e tentar espionar o que o detentor tem feito. — emendou sugestiva e nossa amiga ficou vermelha.
— Eu... Jamais faria isso! — se negou como de costume, mas eu sabia que iria averiguá-lo uma vez que conseguisse ficar sozinha no cômodo.
— Em algum momento terá de se mexer e parar de negar o que confessou sobre seus sentimentos as suas melhores amigas. — ri e recebi caretas.
— Eu não deveria ter...
O som do líquido borbulhando de repente interrompera o nosso diálogo e foi a minha vez de me aproximar para ver imagens de Lady Hee ordenando coisas para aqueles malditos cuniculus que pareciam ansiosos enquanto se apressavam de um lado a outro.










E o que viera a seguir depois disso fora a imagem da sala do trono vazia e dos demais possíveis lugares nos quais ‘’nossos homens’’ costumavam a frequentar em suas rotinas reais.
— Aqueles dois não estão na corte! Como assim o Jin e o rei saíram sem que a fofoca chegasse a nós? — Jezelia estava quase gritando e girando sua mão direita sobre o objeto na intenção de fazê-lo mostrar o paradeiro de seu amado, porém o poder dele só se limitava a explorar a rotina de alguém quando seu usuário sabia a localização exata em que o alvo se encontrava.
‘’ O que você está armando Hong Tae?’’ — odiava quando ele era imprevisível sobre seus planos, mas teria de aprender a lidar com isso quando me tornasse a sua rainha e a mulher mais amada de todo o reino.
— Não está funcionando! — esganiçou e praticamente a empurrei para tomar o seu lugar numa tentativa de chutar que talvez aqueles dois estivessem em Hibernus na montanha Accordare visitando o detentor.
E por sorte a magia me permitira ver o salão de entrada de Lóng, mas este estava vazio e também os arredores de suas imediações .
— Como o meu ‘’dragão’’ saiu se ele nunca se afasta da montanha? — foi à vez de Scarlett se indignar com algo que era inédito se tratando daquele homem tão antissocial.
— Já chega! Temos de coletar informações de perto. — dei um ponto final naquela historinha mal resolvida ao retirar uma pedra Accordare do bolso de meu vestido.
— Não podemos ir até lá sem anunciarmos uma visita e aqueles inúteis coelhos não nos deixariam a par de nada como sempre. — Jezelia rosnou quando usei o nosso meio de transporte para nos levar em segundos até o pátio do palácio.
— Nem que eu tenha de transformar a todos em diamantes nós saberemos o que está acontecendo. — sussurrei segurando nos braços das garotas e caminhamos até a entrada da propriedade para sermos barradas por ‘’ Senne. ’’
— Senhoritas Ur, Aedor e Etin, eu me sinto honrado em recebê-las sem um anúncio apropriado, mas infelizmente o rei e o ministro não se encontram na corte para uma audiência. — o desgraçado disse ao se curvar e quis muito destruí-lo.
— Senhor Veloz, eu gostaria de saber o paradeiro... — comecei sem paciência.
— Eles tiveram de ir a ‘’Floresta da Névoa’’ por um assunto confidencial. — citou um dos locais temidos por todas as províncias por se tratar da morada das criaturas marginalizadas que jamais seguiam regras e viviam flertando com a morte pelas garras do rei, ministro e detentor quando tentavam extrapolar em algo.
‘’ Isso explica porque não conseguimos vê-los. ’’ — pensei menos irritada, mas ainda com uma leve sensação de que algo não estava se encaixando ali pelas últimas visões sobre a agitação de Lady Hee.







— Lady Hee não pode nos receber? — Jezelia estava na mesma sintonia que eu.
— Temo que nesse momento a primeira dama do reino esteja ocupada ordenando a arrumação do palácio porque planeja dar um banquete para comemorar uma vidência que teve sobre a fartura e benevolência do reino. — respondeu mais acessível do que nunca fora em nos dar informações. — E ambas as famílias das senhoritas receberão convites ainda hoje. — emendou gentil.
— Estamos de acordo senhor Senne Mestre-sala. — dissemos ao mesmo tempo antes de nos virarmos calmamente e Scarlett sacou uma pedra de transporte e logo estávamos de volta à casa de meu pai.
— Quando eu for à nova primeira dama do reino baterei o pé para que Jin convença o rei a expulsar esses coelhos insignificantes para algum buraco desabitado e de preferência fora desta província! — Jezelia rosnou e Scarlett riu em aprovação.
— Qualquer serviçal melhor teria nos deixado entrar no palácio, mas não se pode esperar muito desses seres sem inteligência que vieram de tocas de areia e são meros agricultores dispersos. E estão cansadas de saber que será uma das prioridades em minha lista colocar apenas elfos para transitarem no palácio. Isso é uma promessa de honra.
— Pelo menos sabemos que os meninos estão cuidando de assuntos do reino e que logo haverá uma comemoração para que possam vê-los. — Scarlett mal estava disfarçando a sua inveja nisso já que era provável que o dragão não estaria lá.
— Estive pensando bastante e já estamos a tempo demais apenas paradas no caminho quando deveríamos agir mais ardilosamente nas conquistas de nossos homens e títulos que virão de brinde com isso. 
— Faurecia! — elas exclamaram chocadas porque elfas nobres jamais eram diretas com os homens porque sempre recebiam declarações deles.
— Eles são homens de culturas diferentes e vivem para o reino. Séculos de espera são boas razões para uma boa mudança de tática e estamos bem porque conhecemos tudo sobre eles. O que será perfeito para encurralá-los. Pensem nisso. — eu já tinha tomado a minha decisão de escolher por Tae e ninguém me impediria de tê-lo.














Madalena

— Você e suas primas devem levar casacos. E não se preocupem porque tudo ficará bem. — vovô Hermogenes disse beijando a minha testa antes de seguir o tio Bill nos deixando sozinhas no quarto das meninas.
— É sério que esses dois vão seguir sem reações depois de saberem de tudo? — Violeta resmungou ao terminar de organizar seu alforges de tecido lilas confecionado por minha avó enquanto Talie já estava com o cor de rosa dela a tira colo.
 Nós tínhamos acabado de receber ordenações com lindas tatuagens dolorosas em 3D que eram uma prova do quanto ainda estávamos num impasse com poderes desconhecidos e nada desenvolvidos.
— Seria chocante se eles se importassem com a casa caindo. — tagarelei ao abrir a minha mochila para verficar se a Bette Davis estava bem, pois ela iria comigo naquela nova aventura.
 Não tivera a coragem de deixá-la aos cuidados de minhas outras primas desligadas que iriam acabar regando a coitada com água da torneira para acabar matando-a.
— Tem mesmo a certeza de que vai nos acompanhar até uma prisão domiciliar em outro mundo? — Talie perguntou ainda inconformada em ter de retornar.
— Eu não teria ligado para uma colega me substuir no trabalho se não estive animada em sair e brincar de ‘’Mad Indiana Jones. ’’ Vocês deveriam se sentir no lucro que aquele rei com cara de estressado não deu uma de Salomé para pedir as cabeças de ambas. — não podia deixar de seguir provocando aquelas tontas, pois elas estavam reclamando sem razões.
— Acho que não está entendendo a gravidade da situação em que nós...
— Violeta! Não se exalte porque são vocês que ainda não captaram que ordem já foi dada e só terão de obececê-la.
— Mad, eu a conheço. Só está assanhada para ir até lá para... Talie começou a me acusar.
— Não irei criar mais confusões do que vocês duas já fizeram. — minha frase dissimpou a nossa discussão com as duas rindo.
— A pessoa que está dizendo isso quase fez a tia Amália e a vovó surtarem quando apareceu na televisão atropelando a porta de uma conceccionária com um trator roubado do canteiro de obras em que o tio Hemorgenes trabalhava. — tossiram falando do meu passado de ativista radical e impaciente.
— Hey! Eu estava fazendo o que era certo em proteger o lote de árvores daquele estacionamento. — me defendi farfalhando aquele vestido especial do ritual.
— Totalmente certa em não ‘’esperar’’ a denúncia chegar ao jornal um dia antes. — Violeta lembrou.







— Ok! Eu posso ter me precipitado, mas vocês duas são as piores.
— Somos da mesma família e isso também a torna parte do clube. — Talie caçoou me puxando na direção da saída.
E quando nós três chegamos à escadaria tivemos a visão do trio indesejado já totalmente caracterizado com o que eu sabia ser ‘’hanboks’’ tecidos em seda e linho nas cores preto, dourado e marrom.
E o mais curioso é que golas das três vestimentas se viam os desenhos de símbolos que se pareciam com árvores de carvalhos.
— Achei que estariam planejando uma fuga pela janela. — minha avó cutucou no exato momento em que o metido Lóng captou a minha inspeção e me endereçara um olhar de pouco caso.
‘’ Tomara que eu dsenvolva algum tipo de poder que possa transformá-lo em um sapo boi. ’’ — pensei maldosa.
— A janela era muita alta vovó. — devolvi o cutucão e recebi um xingamento em latim.
— Se apressem porque os senhores tem um reino para gerenciar e não podem aguardá-las aqui para sempre. — tia Norma avisou antes de barrar as netas sob as observações bem atentas do rei e ministro
— Sua mãe recebera esta joia quando ascendera e agora a estou passando a você. — dona Amália disse ao me entregar um saquinho de feltro verde.
 Ela ao longo dos anos falava pouco de minha mãe e nessas raras ocasiões sempre a criticava por sua teimosia em ter feito uma péssima escolha da qual nunca chegava a explicar o nível de gravidade para as acusações a sua suposta negligência.
— Vovó em algum momento terá de me dizer o que Mara fez tão grave para que passasse a vida a criticando? — indaguei e recebi um olhar nervoso.
— Dentro de cinco dias quando você retornar eu prometo lhe contar o que sua mãe fez de tão grave. — me pegou de surpresa.
— Tudo bem. — assenti segurando minha ansiedade e não esperei receber um tapinha nas costas ou um abraço depois de minha transgressão aos olhos dela.
— Violeta, você deve ficar com o livro de Leona a nossa primeira ancestral. — tia Norma disse ao passar um livreto de capa duro preto amarrado com fino laço de cetim da mesma cor que estava preso a uma espécie de fecho de bronze arredondado.
— O que devo fazer com isso? — a ruiva perguntou confusa.
— Ninguém nunca conseguiu traduzi-lo, mas como você tem o mesmo poder que ela teve um dia... Portanto a partir de agora está encarregada desta incumbencia.
— Mas vovó...
— É uma ordem! E Talie, você deve ficar com esta joia que pertenceu a sua mãe. — a cortou passando um saquinho azul para a mão da neta caçula.







— Mas é a Vio que é a mais velha e...
— A Violeta ficará com o meu giz. — minha avó as interrompeu ao passar a peça a Violeta. — Claro que se algo acontecer com ele, eu cortarei as suas orelhas e farei um encantador de sonhos com elas. — ameaçou sem qualquer traço de brincadeira.
— Ok. Eu prefiro ficar com algo da mamãe. — Talie aceitou enquanto sua irmã sorria toda sem graça.
— Tia eu prometo ser menos relaxada depois de tudo. — tentou argumentar.
— Sabemos o seu nível de tentativas. — as duas tossiram.
— Que horror!
— Agora vão e se comportem como damas e descendentes de uma família que nunca abaixou a cabeça para o mal e se comportem com dignidade na casa de seus anfitriões, pois estão indo nos representar. — ordenaram com expectatitva.
 E nós nos curvamos respeitosamente.
— Faremos isso. — assentimos.
— Violeta faça um anexo de entrada do portal. — tia Norma pediu.
— Um o que?
— O giz! O use para puxar o portal da confeitaria até a sala de nossa sala. Ande! — bateu palmas.
 E minha prima a obdeceu ao usar o objeto para desenhar uma porta imaginária com muita destreza e concentração.
— Agora assopre a ponta do giz e diga que está solicitando o portal.
E assim ela o fez ao assoprar o item com os olhos fechados.
— Eu Violeta Pilriteiro solicito a reabertura do portal que nos levará de volta ao lugar distante chamado de Limbus. — disse séria e nada aconteceu.
— O que extaamente disse quando abriu o portal ontem? — as duas especularam e Violeta ficou toda desconfiada enquanto Talie olhou para o chão parecendo que iria ter uma sincope.
— Bem eu... Eu...Não disse nada demais. Só usei um tom de brincadeira. — respondeu dando de ombros e a conhecia bem para imaginar que a frase provavelmente teria sido algo bem a cara dela.
— Magia não é brincadeira! — tia Norma rosnou a estapeando na testa.
— Deixe a menina! Filha use o tom novamente e se concentre.
— Tenho mesmo de fazer isso? — ela queria pular aquela parte e mordi o lábio para não rir e acabar levando um tapa.









— Agora você terá! — sua avó exigiu.
— Ok. Eu sou uma Papilione de sangue das filhas da natureza e invoco uma passagem para algum lugar mágico e repleto de homens bonitos, pois tenho amigas que andam azedas demais por falta de ver uns machos tanquinhos. — disse pigarreando e olhei discretamente para o lado notando as faces do rei e ministro se personificarem em expressões cômicas.
— Ora sua pequena sem vergonha isso não é... — tia Norma se irou, mas o aparecimento de uma porta luminosa a interrompeu.
— Deu certo!  Vamos! Tia e vovó nós voltaremos em cinco dias e se cuidem. — Violeta desconversou acenando para elas e foi a primeira a praticamente correr para a passagem e a ultrapassou.
— Sejam sensatas!
— Seremos! Vamos, Talie! — a puxei para evitar despedidas e sem medo atravessei a luz para ficar bestificada com o tamanho da floresta em que estavámos pisando em plena a noite iluminada apenas pela lua e estrelas.
— Ops! Viemos parar no mesmo lugar de...
— Isso pelo menos explica que deve ser um portal permanente de chegada e o de partida ficará naquele aposento do palácio. — Talie opinou.
— Deveríamos ter trazido lanternas para uma visibilidade me... — minha frase foi cortada com a chegada daqueles individuos.
— Nam Jin Ho. — o rei chamou pelo ministro.
— Sim? — perguntou parecendo distráido.
— Precisamos de uma pedra Accordare.
— Não! Sinto muito, mas não tenho nenhuma aqui. — se desculpou.
— Prima se prepare para uma caminhada longa. — Talie estava quase rindo.
— Eu posso muito bem abrir um novo portal que nos leve a porta do palácio. — Violeta tagarelou animada em praticar magia, mas logo ficou murcha quando o porta giz se materializou num relógio de bolso com a tampa em formato de borboleta.
— Ai! Outra vez! — emendou chorosa.
— Por isso eu disse que vamos caminhar. — Talie estava resignada.
— Jin, você às vezes é tão... — Hong Tae estava se preparando para esbravejar.
— Parem de perder tempo. Eu levarei a todos, mas se a senhorita Madalena disser algum impropério juro que a deixarei cair. — Lóng Yǐnshì me ameçou com algo que não entendi.
— Hey! Mal chegamos e já está querendo brigar com quem não sabe de gueto saiu. Senhor Lóng se eu fosse...








 O homem me deixou falando sozinha e se afastou do grupo caminhante uns duzentos metro até a parte da floresta que era a mais descampada.
— Mas o que ele está fazendo? — minhas primas quiserams saber intrigadas.
— Observem e descobriram. — os rapazes responderam amenos.
E então num piscar de olhos uma névoa espessa e vermelha cobriu a minha visão totalmente da silueta de Yǐnshì antes que a figura de um gigantesco dragão cinzento surgisse estendido sobre o gramado numa posição que deixava explicito a espera de que todos subissem em suas largas costas escamadas.
‘’ Oh! Meu Deus! Um dragão de verdade. Não. É de mentira. É lógico que ele é real. Sua toupeira. ’’ — pensei já ciente do motivo daquele ser ter aparentado tanta arrogancia.
— Uau! Estamos na terra média. — as garotas tagarelaram não escondendo que estavam interessadas em dar uma volta com ele.
— Hey senhor Lóng! A figura de dragão lhe caiu como a uma luva, pois desde o primeiro momento imaginei que cuspisse fogo nas pessoas ao seu redor. — gritei rindo de minha própria piada, mas o dragão nem ao menos virou sua grande cabeça para me encarar e me senti ignorada como uma daquelas professoras cansadas que tenta lecionar para turmas endiabradas e se vê falando com as paredes.
‘’ Argh! Esse filho da mãe!’’
— Senhoritas. — Jin nos chamou.
— Pessoal eu não estou me sentindo a vontade para voar nas costas dele. — neguei com veemência, pois tinha medo de altura e porque acabara de pegar uma brira feia daquele infeliz.
— Tem medo de altura?
— Pode-se dizer que eu e coisas altas não nos damos muito bem.
— Eu posso caminhar com a senhorita até o palácio. Não fica tão distante assim se seguirmo na curva da estrada que fica a frente e passarmos pela vila da Sorte e... — Jin começou a explicar soando gentil, mas de repente o dragão emitiu sons quase ensurdecedores.
— Lóng, por favor, não seja tão... — Hong Tae começou a argumentar e o animal bestial se moveu abrindo suas vastas asas e saiu do chão com agilidade num voo que quase me achar que sairia largando o povo para trás, no entanto, não foi bem isso o que aquele idiota fez.
— O que ele está... — as meninas ficaram assustadas porque o ser pegara impulso e estava vindo em nossa direção trazendo uma ventania.
— Lóng! — Jin exclamou em tom de aviso, mas foi ignorado totalmente com o maldito dragão agora voando baixo acima de nós.






— Senhor Nam, eu vou começar a caminhar e... — fui interrompida brucamente por dois pés com garras que me puxaram para cima sem qualquer anúncio ou modos, pois me senti como um saco de batatas.
— Argh! Eu quero descer! Ponha-me no chão! — esganicei me debatendo para ser solta, pois a altura era baixa o suficiente para que eu não me machucasse em caso de queda.
— Oh! — aquelas duas ao invés de argumentar em meu favor apenas ficaram paradas me vendo em posição de humilhação em estar dependurada daquele modo.
E num ataque de raiva olhei para cima e encarei seus grandes olhos amarelos e sua boca entre aberta que poderia jurar que imitava um sorriso debochado.
— Eu vou matá-lo! Está me ouvindo? Seu filho da...
— Desisto de argumentar. — Tae e Jin disseram rendidos e a calda daquele demônio se desenrolou até o chão como se fosse uma escada que ambos usaram para iniciar uma subida rápida.
‘’ Nem nos meus sonhos mais loucos imaginei que um dia acabaria assim. A minha pobre Bette deve estar toda destruída agora. ’’
— Senhorita Talie. — o ministro a chamou lhe estendendo a mão quando ela subiu conseguindo se acomodar sozinha sem lhe aceitar a oferta.
— Sou perfeitamente capaz de subir sozinha. — Violeta nem deixou o rei ter o trabalho ao subir se sentar abraçando as costas da irmã.
— Ok. Podemos seguir. — eles disseram secos.
E com um bater de asas Lóng começou um voo leve e menos apressado, mas fazendo a questão de vez ou outra me chacoalhar como provocação já que com a altura se mostrando assustadora, eu parara de insultá-lo tratando de fechar os meus olhos e meditando na vingança contra ele quando isso fosse propício.
‘’ Não sou mulher de deixar as coisas passarem. ’’ — pensei rangendo os dentes com o vento batendo em minha face e o coração quase saindo pela boca devido à adrenalina de ser carregada nas garras de um ser mitológico que eu mandaria a puta que pariu muito em breve.
















Talie

O curto passeio em cima de um dragão de lisas escamas fora emocionante e tranquilo para nós, mas não poderia dizer o mesmo de Madalena que já estava uma fera e ficara ainda mais encolerizada ao ser atirada no lago do jardim do rei.
‘’ Esse dragão é muito mal!’’ — Briseis o criticou quando caminnhei até a borda bolhada para ajudar a minha prima sair.
— Ainda bem que a mochila dela não foi junto. — Violeta comemorou segurando o item que Lóng deixara cair no gramado.
— Inferno de dragão! Eu deveria mandá-lo... — estava quase gritando quando conseguiu sair pigando como uma pata.
‘’ Ele é gato, mas acabou de cair bem baixo em minha lista. ’’ — Margarita também opinou.
— Oh! A minha plantinha! — se esqueceu do xingamento para se apossar da mochila semi fechada e verificou o vaso que estava intacto. — Graças a Deus! Ela está bem e...
— Senhoritas! — fomos chamadas pela dupla de ignorados já que o ‘’engraçadinho’’ da carona levantara voo e estava parecendo ensaiar uma fuga.
‘’ No lugar dele eu teria feito o mesmo, pois ninguém ficaria vivo depois de fazer o que ele fez por duas vezes. ’’ — Margarita tornou a tagarelar, mas vimos o quanto estávamos enganadas quando a criatura voltara ao gramado se transformando num Lóng Yǐnshì peladão.
‘’ Minha nossa! O que é isso?’’ — Briseis estava muito interessada na visão de alguém tão esplendido de corpo quanto seus amigos.
— Mad, por favor, não... — comecei a adverti-la por medo de seu olhar assassino no homem que ainda a seguia ignorando.
‘’ Não tem como ignorar tudo aquilo. Quanta saúde o senhor dragão tem! O que tem na água desse raio de lugar que faz os caras serem tão gos...Digo. Admiraveis aos olhos, embora ainda sejam nada legais. ’’ — Margarita balbuciou e Briseis ficou rindo feito uma hiena.
— Vocês nunca viram uns machos na vida? Suas lobas sem vergonhas! — Violeta se irritou e acabou falando demais porque o rei arqueou as sobrancelhas como se fosse rebater sua frase com algo que ela não iria gostar de ouvir.
— Nós temos uma recepção para acompanhar já que as senhoritas independentes precisam descansar. — Jin soltou uma provocação a minha negativa de ajuda durante o trajeto e por pouco não o xinguei.










— Em alguma coisa eu tenho de concordar com o senhor Nam e...
— Hey! Seu miserável! Pare de me ignorar! — minha prima berrou nos largando para trás ao avançar na direção dele que se distanciara de seus amigos para encarar uma bruxa que estava soltando fumaça pelas ventas e totalmente desligada do fato de que seu vestido estava completamente transparente.
— Senhorita Madalena, eu pensei que um banho gelado fosse... — fez uma pausa baixando os olhos pelo corpo dela. — Fosse acalmá-la dessa sua...
— Só existe uma coisinha que pode me acalmar. — o cortou sombria.
E então o chimarrão ferveu com ela saltando em cima dele a socos e ambos caíram no chão rolando numa briga infantil ante nossos olhares estupefatos.
— Lóng! — os rapazes gritaram.
— Mad! — fizemos o mesmo.
‘’ Briga! Briga!’’ — as lobas assoviaram.
— Eu vou arrancar os seus olhos! — agora ela estava puxando o cabelo dele enquanto o homem tentava empurrá-la.
E imaginei que ele não estava empregando força para não machucá-la, mas era visível que já estava na borda do descontrole.
— Parem! — nós todos estávamos esganiçando.
— Isso não é civilizado senhorita! — Hong Tae bradou.
— Olha quem está falando. Não foi você quem me perseguiu pelo palácio? — minha irmã o alfinetou e os olhos dele mudaram de cor.
— Não possui qualquer senso de modos e está cobrando paciência de mim? Pelo menos se vê que é de família isso de...
Num piscar de olhos Violeta foi a próxima a socar o rei e logo ambos também estavam rolando no gramado a gritos e a insultos.
— Dane-se se você é um rei! Vou matá-lo! Seu imbecil.
— Bruxa tola! Quero vê-la tentar!
‘’ Isso está melhor do que um Vale tudo!’’ — Margarita assoviou.
‘’ Quer apostar amiga?’’ — Briseis estava me saindo uma atentada de mão cheia.
— Nem olhe para mim! — fechei a cara quando Jin piscou.
— Eu não iria dizer nada. Só queria sugerir que me acompanhasse para um passeio enquanto o quarteto se mata.
— Está maluco? Desde quando eu aceitaria ficar sozinha com alguém que tem o costume de esfregar a cara nos seios alheios? — esganicei.
— Eu sou confiável. Não pode passar uma borracha nisso? — sorriu matreiro.
— Não!
— É bom ouvir isso, pois assim não serei obrigado a me esquecer do prazer que foi ter estado passeando no seu...
Perdi as estribeiras pela segunda vez com aquele chato e sem pestanejar saltei nele o esmurrando com vontade e nós dois também acabamos caindo no chão numa briga por controle de ações que eu não o deixava ter, pois jogava sujo em arranhá-lo todo.
‘’ Estou indecisa em quem apostar!’’ — Margarita desistiu.
‘’ Eu também!’’ — Briseis concordou.
‘’ Que pena que não temos um balde de pipocas!’’ — por fim suspiraram e quis torcer os focinhos delas.
— Maluca! — ouvi as vozes dos outros homens esganiçando enquanto girava pelo chão combatendo alguém mais pesado do que eu.
— Estou onde eu quero! — exclamei agora sentada sobre o abdômen dele. As mãos do infeliz estavam apertando os meus antebraços e os seus olhos castanhos brilhavam fixos em meu decote como senão houvesse amanhã.
— Eu também! — riu satisfeito.
— Argh! Que nojo! Seu...
— Majestade! E excelências! — um coro de vozes de repente cortara os escarceis e nos vimos rodeados por pelo menos mais de trinta coelhos.
— A lady Hee pode acabar os ouvindo. — o coelho que nos abrira a porta no dia da audiência pigarreara e automaticamente nós três saímos de cima deles ajeitando nossos vestidos para disfarçar os nossos descontentamentos pelas interrupções.
— Vamos procurar a senhora Nam. — falei olhando feio para um Jin que ainda estava deitado no chão com o seu cabelo extremamente despenteado e um arranhão no pescoço.
— Acho que já me sinto melhor para caminhar. — Madalena disse chutando as costelas de Lóng que também não se levantara e estava com o nariz sangrando.
— Mulher insana! — rosnou se dobrando.
— Concordo com ambas. — Violeta disse com a voz adoçada antes de pisar na mão do rei que estava com uma visível marca de cinco dedos no lado direito da face.
— Está querendo morrer! — gritou fazendo uma carranca, mas foi ignorado ante os olhares descrentes dos coelhos.
E juntando nossos pertences saímos daquela área de cabeças erguidas, mas um tanto descabeladas e sujas de terra e grama.
‘’ Poxa! Acabou o barraco fantástico. ’’ — as traidoras reclamaram.
— Calem a boca! — eu e Violeta rosnamos e elas sumiram de vista
.
Atravessamos aquela área repleta de tochas até chegarmos a uma ponte atriculada em estilo oriental e a partir dela foi possível enxergar o início de um pátio para o qual seguimos para esbarra em outro grupo de coelhos.
— Senhoritas a lady Hee está aguardando a sua chegada. — um deles disse respeitosamente.
— Obrigado por nos receber. — agradecemos antes que o grupo nos levasse na direção de uma grande entrada que nos levou a outra ala diferente da última em que estivemos.










— Que lugar interessante. — Madalena cochichou se referindo a beleza das paredes cor de creme e das adornações por paineis e colunas de madeira ao redor de tudo.
— Sejam bem vindas à casa da primeira dama do reino. — o coelho anúnciou tocando uma corneta e uma larga porta corrediça foi puxada dando passagem à entrada de outro salão enfeitado por uma mesa baixa repleta de alimentos e flores.
 E a senhora Nam estava sentada na cabeceira do movel nos brindando com um sorriso amistoso que logo foi substuido por uma expressão contrariada.
— Minhas meninas voltaram para mim e ainda trouxeram uma terceira! Hum! O que houve para estarem neste estado? Foram atacadas por salteadores rebeldes? Como o rei, o ministro e o detentor não viram isso? — tagarelou se levantando para vir nos especular de perto e fomos abraçadas ao mesmo tempo num saudação efusiva.
— Não foi nada demais. Nós caímos no jardim sem querer. — menti quase rindo da mentirinha enquanto trocava um olhar de alarme com as outras.
— Esta é Madalena nossa prima e ela veio para nos fazer companhia. — Violeta explicou a presença de Mad que sorriu parecendo ter simpatizado com a mãe do tarado mor.
— Achei que iriamos jantar para comemorar o retorno e pedi aos nossos colaboradores que arrumassem o palácio inteiro. Todas vocês merecem este mimo. Por isso espero que se aprontem para o banquete especial. As levarei para a sala de banho e logoe estarão refrescadas e radiantes para fofocarem comigo sobre o mundo exterior. E seja bem vinda Madalena. — desatou a falar sem parar ao nos obrigar a segui-la.
E quis realmente me banhar não parar estar num banquete, mas sim para poder dormir e fingir que não estava em um pesadelo real às avessas.




















Violeta

— Pensei que nunca seriamos deixadas sozinhas. — Talie disse assim que a dona Hee saiu do quarto de banho nos dando privacidade.
— Seu braço está com marca de dedos! — observei as marcas visiveis em Mad que fez uma careta.
— Você e a Tali também. Aqueles malditos sabem se fazer odiados! — cuspiu ainda de toalha.
 Hong Tae tinha me apertado com força o suficiente para marcar, mas eu não estava machucada por suas investidas porque o cretino apenas tentara impedir os meus golpes sem de fato devolver as agressões.
‘’ Que pena que não tirei uma foto da cara estapeada daquele capeta. ’’ — pensei maldosa ao escolher um leve vestido florido de meu alforge e ignorei a nova túnica deixada junto de outras duas sobre uma cadeira de bambu.
— Argh! Aquele ser infantil não me desce. Como alguém pode reger um reino e ser um sociopata louco como aquele? — destilei meu veneninho.
— E as amizades dele o servem bem. Foi uma pena que eu não arranquei os olhos daquele Lóng atrevido. — Madalena rilhou os dentes ao se aproximar de sua mochila.
— E aquele ministro tarado de uma figa está pedindo para ter a língua arrancada!
— Oh! Minha bebê você foi tão negligenciada hoje. Prometo recompensá-la com uma água especial que este ligar pitoreco tem. Se a mamãe pudesse a transformaria num ser maior que poderia engolir todos os nossos desafetos. — Madalena tagarelou ao retirar o vaso amarelo com a dioneia ainda intacta e a colocou sobre a cadeira das túnicas para poder enfeitar o ambiente.
— Você realmente leva a sério a sua paixão por essa plantinha. — assoviei.
— Ela é uma boa ouvinte que nunca se queixa e nunca me sinto sozinha. Não é meu amorzinho? Você é o ser mais...
 De repente o vaso começou a tremer diante de nossos olhos como se estivesse sendo balançado por um terremoto, embora tudo ao seu redor permanecesse calmo.
— Vocês estão fazendo isso? — perguntou já esticando a mão para pegar o vaso de volta.
— Não! — respondemos contrariada ao puxá-la a tempo, pois estourara em estilhaços e a senhorita planta simplesmente começara a crescer ante aos nossos olhos como se fosse uma espécie de ‘’ Pé de Feijão’’ sem João.











— Oh! Mas o que está acontecendo? — gritamos dando mais passos para trás, pois as coisas na sala de banho estavam tomando proporcões exageradas com Bette Davis se transformando numa monstruosa e cabeçuda dioneia com mais de trinta dentes cerrilhados numa boca exageradamente larga o suficiente para que coubesse nela um boi holandes obeso.
Sua altura agora provavelmente estava acima numa base de uns dois metros e suas rosetas se tornaram dejaseitadamente maiores e estavam abrindo e fechando suas bocas em movimentos quase sincronizados enquanto os caules da bichinha se espalhavam pelo cômodo e se grudavam as paredes.
— Nem olhem para mim! Dessa vez não fui eu. — me defendi ao receber olhares nervosos das garotas.
— Mamãe. Quando vamos sair para pegar um ar? Aqui está abafado demais. E olá meninas que sabem mesmo ferrar com as vidas das pessoas. — a planta começou a falar me deixando abismada.
‘’ O que estamos perdendo? Minha nossa! Este lugar deve ter alguma coisa no ar que parece uma Chernobyl. ’’ — Margarita quase gritou ao surgir sem ser chamada.
‘’ Uau! A Bette está viva! Como você fez isso, Vio?’’ — Briseis me acusou.
— Hey! Eu já disse que não isso não é minha autoria!
— Oh! Bebê isso não pode ser real! Você precisa diminuir de tamanho e voltar ao vaso agor mesmo antes que destrua a casa dos...
— Mas foi você que me fez isso! Não tenho a minima ideia de como voltar ao nomral. Humm. Nunca me senti tão viva e acho que agora é o momento perfeito para dar uma voltinha e explorar os arredores.
— Bette! Eu a proibo de sair! Você não sabe o que vai encontrar lá...
 A dioneia lhe mostrou a língua arroxeada e fez um som de desafio antes de usar um de seus tentáculos para quebrar uma das paredes como se estivesse portando uma bola de demolição de mil quilos.
 E o som da madeira revestida se partindo só não foi mais assustador do que ela saindo numa afrontosa imitação de uma adolescente querendo testar sua progenitora.
— Não! Eu não creio que ela me desobedeceu assim sem mais nem menos! — Madalena estava histérica.
‘’ É dificífil manter os jovens na linha atualmente. ’’ — Margarita tossiu.
‘’ Só eu estou preocupada com os gastos dos reparos na casa desta senhora tão legal conosco? ‘’ — Briseis levantou uma questão importante.
— Caramba! Acabamos de chegar e já estamos devendo nossos rins para bancar a demolição de uma sala luxosa. — Talie disse preocupada.








— A gente pode prostituir a Mad depois já que a filha rebelede é dela, mas deixem isso de lado e pensem que o estrago poderá ser maior com aquela planta descontrolada assustando a todos lá fora. — tive de falar sobre óbvio.
— Droga! O rei Hong Tae vai me colocar para correr daqui se isso se transformar numa tragédia com aqueles lindos coelhos fofinhos que parecem ter saido de Nárnia enfartando. Temos de parar a Bette! — disse cada vez mais desesperada.
— Mulher você ainda está de toalha! — a lembramos.
— Argh! A Bette me paga por me enlouquecer! — esbravejou se apressando em pegar um vestido vermelho de algodão de sua mochila e entrou na peça em questão de segundos antes de calçar suas sapatilhas.
— Que Deus nos ajude! — exclamei as seguindo pelo estrago na parede e nem querendo pensar no que aquele rei surtado diria quando descobrisse que nós saímos sem a permissão dele a procura de uma planta fumada das ideias.

























   Créditos de Edição Bruna Machado